Loop Causal e a Complexidade

Loop Causal e a Complexidade

Estava ouvindo um podcast que entrevistou o Walter Longo, especialista em Inovação e Transformação Digital e durante o episódio o entrevistado falou muito sobre os problemas das grandes cidades, muito tratado pela área de estudo das chamadas Cidades Inteligentes. Pegando o gancho se falou sobre a complexidade dessas grandes cidades e como estamos tentando dar soluções paliativas para um problema complexo.

Esse ponto me fez pensar na Teoria da Complexidade e relembrar alguns pontos vistos no meu mestrado em Gestão do Conhecimento e também uma das dimensões do Management 3.0.  Bom, falar de complexidade é algo complexo por assim dizer, temos várias teorias, inúmeros textos e artigos, preciosas contribuições, mas como o próprio Jurgen Apello descreve em seu livro, Management 3.0, não temos uma descrição unificada sobre a teoria da complexidade .

Na visão de Jurgen, as várias contribuições nesse campo nem sempre se encaixam perfeitamente, como partes de um corpo que vão se moldando e se ajustando. Ele traz até uma figura exótica para exemplificar isso.

Ok, mas o que isso tem a ver com o podcast e com esse tal loop causal que eu citei, bom um dos trechos o entrevistado aborda a complexidade do conceito de mobilidade.

“… um conceito que precisa urgentemente ser repensado é o de mobilidade. Aquela velha ideia de que mobilidade se refere apenas ao ir e vir está mudando. Finalmente, essa palavra passou a aparecer junto com outras duas: tempo e vida. ‘Mobilidade permite que as pessoas tenham mais tempo de vida’.

Fonte: https://www.linkedin.com/pulse/por-uma-mobilidade-que-v%C3%A1-al%C3%A9m-do-ir-e-vir-walter-longo/

E cita como o investimento em no metro de São Paulo por exemplo não irá resolver o ir e vir nessa grande metrópole, inclusive ele destaca que as cidades na verdade punem as pessoas que precisam se locomover com mais frequência. Ok como faz então pra resolver o problema de mobilidade da cidade de São Paulo? Bom a resposta eu não sei, mas se pegarmos como exemplo Londres que tem o melhor sistema de metro do mundo e ainda precisa ter taxa para “punir” os motoristas que transitam de carro, pode-se ver claramente que a solução não está somente no transporte público.

Bom, você deve se perguntar então, a solução é o uso de transportes alternativos, como patinetes e bicicletas, é… ajuda, mas será que resolve o problema? Acho que não…

O Walter até das suas contribuições, fala sobre incentivarmos as pessoas, bonificando caminhões que transitam em horários diferentes dos de grandes movimentos, liberando por exemplo os caminhoneiros do pedágio. Propõe inclusive que alguns serviços sejam ofertados em horários diferentes dos tradicionais 08:00 as 18:00. Adoro a ideia de os bancos funcionarem num sábado pela manhã… ia ser fantástico para várias pessoas que precisam desses serviços e tem que concorrer com o seu horário de trabalho para ir ao banco, coisa que Graças a Deus não faço a alguns anos ehehehe.

O que da para perceber é que mesmo na melhor das intenções as sugestões também focam em pontos específicos e não tratam do sistema como um todo. Como ele mesmo cita: “estamos pensando como antigamente para resolver problemas atuais…”

Ainda ta se perguntando onde o tal loop causal entra na história ne?? Então… loop causal está relacionado a darmos soluções simples para problemas complexos e isso geralmente faz com quem o mesmo problema se repita no futuro ou ele sofra uma pequena modificação e volte a acontecer… basicamente ficamos arrumando um sistema de encanamento furado…

Para isso, temos algumas propostas e na visão do Jurgen devemos trabalhar com duas dimensões para tratar os problemas. A primeira se refere a estrutura do sistema ou do problema a ser tratado, que pode ser classificado em:

  • Simples = facilmente compreensível
  • Complicado = muito difícil de entender

A segunda dimensão está relacionada ao comportamento, e o quão facil é prevê-lo.

  • Ordenado = totalmente previsível
  • Complexo = um pouco previsível (mas com muitas surpresas)
  • Caótico = muito imprevisível.

Ok, ok, você vai me dizer que existem vários modelos como o Cynefin de David Snowden ou o Modelo de Acordo e Certeza do Ralph Stacey. O que essa proposta tem de diferente? Simples, em vez de falarmos em 4 dimensões ou classificações (simples, complicado, complexo e caótico) estamos falando em 6 domínios e temos uma sobreposição entre os domínios complexos e complicados, deixando a previsibilidade nos guiar na melhor solução.

Gostou desse artigo comenta aí abaixo.

Quer saber mais sobre pensamento complexo ou outras práticas do management 3.0? Confere um dos nossos treinamentos.

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